UM ERRO MEDICO QUE CUSTOU UMA VIDA

Escrito em 05/08/2026
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Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, foi submetida por engano a uma cirurgia destinada a outra paciente no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas, no interior de São Paulo, e morreu três dias depois.

A idosa estava internada para tratar uma obstrução intestinal provocada pela recidiva de um câncer de cólon e aguardava definição da equipe médica sobre o tratamento quando foi encaminhada ao centro cirúrgico sem que os familiares fossem informados.

Os problemas começaram antes da cirurgia. Segundo a neta Camila Dias Barozzi, ainda no pronto-socorro, a equipe chamou pelo nome de uma paciente com o mesmo primeiro nome e, sem conferir o sobrenome nem a data de nascimento, aplicou uma medicação errada em Jandira. Na noite do dia 8 de junho, ela foi levada ao centro cirúrgico e submetida a uma gastrostomia endoscópica, procedimento para colocação de uma sonda diretamente no estômago, entre 18h45 e 19h20.

A troca só foi descoberta ao fim da cirurgia, durante a passagem de plantão. A família foi convocada para uma reunião com o diretor clínico e a diretora do centro cirúrgico. Segundo Camila, o diretor admitiu nunca ter enfrentado situação semelhante, mas sustentou que o procedimento poderia trazer um “benefício clínico” ao permitir a drenagem de líquidos associados à obstrução intestinal. A família não aceitou o argumento.

“No outro dia, ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar. Então aquilo que ele tinha me falado que seria benéfico, não foi”, disse Camila. Diante da piora, familiares e médicos decidiram adotar cuidados paliativos. Ela morreu às 19h30 do dia 11 de junho.

Camila revelou que o checklist de cirurgia segura foi dado como totalmente preenchido pela equipe, com conferência de dados verbais e pela pulseira realizada por enfermagem, médicos e anestesiologista, e que a troca só foi percebida depois da cirurgia, na sala de recuperação anestésica, quando uma técnica foi aplicar medicação e conferiu a pulseira. “O que aparece na matéria não é 1/10 de tudo o que aconteceu conosco nesse hospital”, escreveu. “Se ela ia vencer o câncer novamente ou não, infelizmente não tivemos a chance de saber.”


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